On the road again...
Esse relato nasce num ônibus, no caminho entre Santiago e um vilarejo cheio de promessas, chamado Valparaíso.
Peraí, parece que você perdeu um pedaço da novela, não é? Vamos lá.
Sexta-feira fui embora de Buenos Aires. As últimas semanas foram intensas. Na minha vida sempre foi assim: os amores com data pra acabar são sempre ótimos. Só não são melhores que os amores impossíveis.
Dramática (como sempre), caminhava pelas ruas pensando que era uma despedida; falava com as pessoas como se aquelas palavrinhas fossem marcar minha história pra sempre e, claro, aproveitei pra agradecer às pessoas que fizeram diferença na minha vida enquanto eu tava lá. Porque até nisso eu sou sortuda: quando você viaja tem que ficar amigo de qualquer um que sorri pra você. Mas acaba que no meio daquela torre de babel que é Buenos Aires eu encontrei gente que seria parte do meu ciclo de amigos aí em Brasília ou em qualquer lugar. Gente como eu, com quem estabeleci cumplicidade em 15 minutos (eu e meus amores à primeira vista) ou gente que não tinha exatamente tudo ver comigo, mas com quem eu me sentia imensamente bem só por estar perto (eu e a necessidade de química nos relacionamentos).
Buenos Aires é uma cidade pra viver e não pra fazer turismo. É pra respirar aos poucos e se apaixonar todos os dias. Festas, restaurantes, cafés, conversas, caminhadas intermináveis, sol na praça. Sentia e sinto que podia ficar lá por muitos anos mais. Mas.. outras viagens me esperam. E lá vou eu.
Pra onde exatamente vou é uma incógnita. Eu vim pra Santiago porque tinha um vôo Gol super barato, tipo 50 dólares. Já tinham me avisado que a cidade é meio chata, mas eu pensava que podia ser intriga de Argentino (porque você, fiel leitor amigo já sabe: chilenos e argentinos se odeiam). Bom, até agora só tive 24 horas de Santiago e pode ser um pouco precipitado dizer, mas achei tudo realmente muito sem charme. Talvez as coisas fossem diferentes se eu tivesse vindo pra cá antes de ir a Buenos Aires. Não sei. Volto a falar sobre Santiago nos próximos dias.
Agora escuta essa e vê como a sorte anda ao meu lado. Estou bem bonita na sala de embarque do aeroporto e me sento ao lado de uma menina. Minutos depois me dou conta que a rede wi-fi é só pra assinantes de banda larga de buenos aires. Nerd em crise de abstinência perde o juízo e naquele momento pensei que não tinha nada demais perguntar à menina se ela: a) era da Argentina; b) se assinava banda larga e c) se podia me emprestar sua senha.
Não. Ela não era da Argentina, não assinava banda larga e nem podia me ajudar. Mas ela me reconheceu. Havíamos sido apresentadas em uma festa de gringos (que eu fui de penetra). O vôo da Gol vinha atrasado do Brasil, de forma que passamos as duas horas seguintes fofocando e no final já combinamos de seguir viagem juntas. Ela tava vindo pro fim de semana pra visitar uma amiga também alemã que mora aqui. Resumindo a história: ficamos no mesmo albergue e no mesmo dia eu já saí com uma turma de gente daqui: chilenos, alemães, um sueco e eu alegrinha no meio deles. Até pra balada eu fui (e vcs sabem a preguiça que tenho de boate). Mas como já disse aqui, em viagens a única coisa que não podemos desperdiçar é um amigo.
Esta noite estamos indo pra o tal povoado chamado Valparaíso. Parece que é um lugar lindo – mas eu também falo mais de lá nos próximos capítulos. Com sorte, deixo a preguiça de lado e levo a câmera pra mostrar um pouquinho do lugar pra vocês.
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1 Comments:
Acredita que só hoje vim ler seus novos relatos??? Já estava preocupado com a falta de notícias, mas estou vendo que a aventura continua...rs!
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